14 Novembro 2008
Entrevista no Cronópios
Amigos, convido-os a ler uma entrevista feita comigo por Anderson Fonseca e publicada no Cronópios. Foi um processo interessante e gostaria muito que agora vocês participassem, com sua leitura. O endereço é http://cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=3648. Um grande abraço a todos.
02 Novembro 2008
cabelos à prova d'água
um documento retificado no bolso
garganta de estanho
os pés sob aninhagem
era Maçarico Rondó
capitão
que jurava ondinas
e pamonhas
(sólido quanto caneta que escrevesse)
e pamonhas
um documento retificado no bolso
garganta de estanho
os pés sob aninhagem
era Maçarico Rondó
capitão
que jurava ondinas
e pamonhas
(sólido quanto caneta que escrevesse)
e pamonhas
18 Outubro 2008
depois de brincar com as primas de Paulo Pego
inspirado em meu texto “a morte de Yukio Mishima”
ele ouviu
partilhou suor
anteviu
sempre soube que ririam
afinal as bonecas não serviram só à nora de ibsen
contra a corrente
mishima não tem pio
rouco afónico depois
a corrente conta
no jacinto amante de apolo
disco não acabou com tudo
ficou a flor
ficaram as jacíntias
no mishima
seppuku só acabou com a partilha de suor
ficou o vapor
inspirado em meu texto “a morte de Yukio Mishima”
ele ouviu
partilhou suor
anteviu
sempre soube que ririam
afinal as bonecas não serviram só à nora de ibsen
contra a corrente
mishima não tem pio
rouco afónico depois
a corrente conta
no jacinto amante de apolo
disco não acabou com tudo
ficou a flor
ficaram as jacíntias
no mishima
seppuku só acabou com a partilha de suor
ficou o vapor
26 Setembro 2008
FLAP! RJ 2008
Foi um sucesso a edição 2008 da FLAP! RJ. Muito interessante e animada a mesa de que participei, no dia 20, com Tanussi Cardoso, Eucanaã Ferraz, Claufe Rodrigues e João Emanuel Magalhães Pinto, debatendo sobre livros, livrarias e o mercado editorial. Vejam mais: http://flaprj.wordpress.com/programacao-2008
09 Setembro 2008
1
tirar esse dia pra manhã
varrer uma caixa de ramos e relva de si
transportá-la
torná-la tão no centro de uma montanha
que de repente
a caixa
caixa de montanha
2
toda montanha contém uma caixa
tirar esse dia pra manhã
varrer uma caixa de ramos e relva de si
transportá-la
torná-la tão no centro de uma montanha
que de repente
a caixa
caixa de montanha
2
toda montanha contém uma caixa
26 Agosto 2008
13 Agosto 2008
Cumprir a rua, o corredor, a cama por onde passamos todos os dias, dividi-los pelos anos, fazê-los caber nos anos com tanta precisão, que cheguem a existir, mesmo que por apenas uma fração de 
segundos, ali no momento exato
em que os usamos pela última vez,
quando finalmente estavam prontos.

segundos, ali no momento exato
em que os usamos pela última vez,
quando finalmente estavam prontos.
07 Agosto 2008
A morte de um performer
“Bullet strikes the helmet’s head”, sua canção. Seria um exagero, se ele realmente não visse as cabeças dos artistas sempre a prêmio – pagar com vender objetos usados pela nova aspirina da cabeça dos outros. E porque o exagero tem mais com o cotidiano do que com a morte. Seu nome não cabe aqui. Talvez o último (avós e quintais), mas ainda assim eu estaria, segundo ele, interpretando-o mais uma vez.
leia mais: http://www.confrariadovento.com/revista/numero21/work03.htm
leia mais: http://www.confrariadovento.com/revista/numero21/work03.htm
30 Julho 2008
27 Julho 2008
24 Julho 2008
20 Julho 2008
dois poemas de Cândido Rolim
corte que dê
sono
jorro que perfume
o gesto
sopro que talhe
o sangue
..............................
após a
passagem do rosto a
paisagem se
recompõe
corte que dê
sono
jorro que perfume
o gesto
sopro que talhe
o sangue
..............................
após a
passagem do rosto a
paisagem se
recompõe
19 Julho 2008
18 Julho 2008
1
verter o rubi,
magma de Santa Helena (vulcão) benzer
maremoto de um peixe-gato nadar no chão
na lua um coelho espreita
2
verter o rubi,
magma de Santa Helena (vulcão) benzer
maremoto de um peixe-gato nadar no chão
na lua um coelho espreita
2
todos os signos rondam
os rumores compõem um nevoeiro
os rumores compõem um nevoeiro
24 Junho 2008
A morte de Yukio Mishima
Do outro lado da calçada, florida com libélulas-morredeiras, na rua de Kimitake pequeno, andava um moleque por socos e saltos, que aplicava, com uma falsa precisão, em todas as crianças da rua. Durante um tempo, Kimitake acreditou que talvez o garoto na verdade tentasse dançar, coisa de criança. Começou a assisti-lo em busca de traços de ensaio. Quando comprovou que tudo era improvisado, escreveu em um dos bilhetes que enviava para a mãe: “... no entanto, se ensaiasse, lutaria com mais liberdade.”
leia mais: http://www.confrariadovento.com/revista/numero20/work03.htm
leia mais: http://www.confrariadovento.com/revista/numero20/work03.htm
no Cronópios
Resenha de Anderson Fonseca sobre meu
livro O óbvio dos sábios:
http://www.cronopios.com.br/site/resenhas.asp?id=3338
livro O óbvio dos sábios:
http://www.cronopios.com.br/site/resenhas.asp?id=3338
20 Maio 2008
30 Abril 2008
Novidade
A partir do número 19 da Revista Confraria volto a escrever regularmente, na seção Work in Progress, onde a cada número investigarei poeticamente os últimos minutos de vida de alguns artistas, em seus fatos ditos reais e suas possibilidades de realidade. No primeiro texto escrevo sobre a morte de Charles Chaplin. Não deixem de ler!
22 Abril 2008
17 Abril 2008
o alpinista arranca escarpas
pra seu colchão de incômodos:
acordar cedo
e arredar rochas de frente da paisagem
pra seu colchão de incômodos:
acordar cedo
e arredar rochas de frente da paisagem
16 Abril 2008
15 Abril 2008
A excursão à montanha
de Franz Kafka
– Não sei – exclamei sem voz –, realmente não sei. Se não vier ninguém, não vem ninguém. Não fiz mal a ninguém, ninguém me fez mal, e contudo ninguém quer ajudar-me. Absolutamente ninguém. E entretanto não é assim. Simplesmente, ninguém me ajuda; se não, absolutamente ninguém me agradaria. Eu gostaria muito – por que não? – de fazer uma excursão com um grupo de absolutamente ninguém. Naturalmente, à montanha; aonde mais? Como se apinham esses braços estendidos e entrelaçados, todos esses pés com seus inúmeros passinhos! Certamente, todos estão vestidos a rigor. Vamos tão contentes, o vento coleia pelos interstícios do grupo e de nossos corpos. Na montanha nossas gargantas sentem-se livres. É assombroso que não cantemos.
de Franz Kafka
– Não sei – exclamei sem voz –, realmente não sei. Se não vier ninguém, não vem ninguém. Não fiz mal a ninguém, ninguém me fez mal, e contudo ninguém quer ajudar-me. Absolutamente ninguém. E entretanto não é assim. Simplesmente, ninguém me ajuda; se não, absolutamente ninguém me agradaria. Eu gostaria muito – por que não? – de fazer uma excursão com um grupo de absolutamente ninguém. Naturalmente, à montanha; aonde mais? Como se apinham esses braços estendidos e entrelaçados, todos esses pés com seus inúmeros passinhos! Certamente, todos estão vestidos a rigor. Vamos tão contentes, o vento coleia pelos interstícios do grupo e de nossos corpos. Na montanha nossas gargantas sentem-se livres. É assombroso que não cantemos.
tradução de Torrieri Guimarães
14 Abril 2008
Hopper e a máquina de horizontes, de Márcio-André

Há homens que entendem mais de janelas. Hopper com certeza é um deles. Entender de janelas é fazê-las vigorar como fenda: seu ato de deixar-se ver através. A janela é uma máquina cuja função é nos permitir ver por ela, ou seja, sua única possibilidade de existir é deixando de ser algo. Leia mais.
03 Abril 2008
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